produção textual.

28 11 2011

Esse texto foi produzido durante as aulas da disciplina de Produção Textual da Pós de Linguagem e Representação. A disciplina foi ministrada pelo professor Paulo Coimbra Guedes, docente da Universidade Federal do Rio Grande do Sul e Doutor em Linguística, entre outras coisas.

Para não deixar o texto esquecido nos arquivos do computador, vou transferi-lo para cá. Era para ser uma ensaio… se virou um, não sei…

Leitura: sistema pendular.

Costumo chamar minha relação com a leitura de pendular. Na maioria das vezes, não tenho ânimo nem paciência para ficar horas a fio lendo um livro. Confesso que me cansa e dá sono. Mas nem por isso me considero nas trevas de um mundo onde a leitura não existe. Existe. Existe em jornais, revistas, internet. Leio todos os dias, o dia todo. Sou menos leitora?

O começo de minha relação com a escrita e a leitura não teve grandes histórias. Livros infantis, ânsia para escrever tudo e muito, redações escolares e livros de gente grande. Minha profissão trouxe essa necessidade de ler os diversos meios. As bulas de remédio e os dicionários sempre foram o cotidiano. Os rótulos de produtos alimentícios vieram com o aumento de peso e a saúde, que não comporta certas substâncias. Por isso, digo, leio até bula de remédio.

Tenho uma pilha de livros que comecei a ler e ainda não terminei. Aos poucos vou lendo, conforme vem a vontade de tal autor ou determinada história. Nem sempre foi assim. Na escola, sempre temos aquelas obras que somos obrigados a ler. Ler para fazer resumo. Ler para fazer trabalho respondendo perguntas. Ler para representar através de desenhos ou peças teatrais. Nunca líamos para pensar a respeito, discutir o tema, contextualizar com os colegas. Ler era mecânico. Era obrigação. E eu digo que não gosto de fazer coisas por obrigação.

Depois disso, no Ensino Médio, já tinha o hábito da leitura por prazer. Devorava livros. Não posso esquecer do início da Pós Graduação, quando os colegas falavam sobre os livros do Paulo Coelho, sobre sua escrita rasa e óbvia, como uma fórmula de sucesso. Entre o que lia no Ensino Médio, estavam livros do Paulo Coelho. Perdão, mas eu li. E achava o máximo. Li Martha Medeiros, mas também li Scliar e seu “Exército de um homem só”. E não foi para me redimir.

Li resumos para fazer provas de vestibular. Li livros técnicos sobre Jornalismo durante a faculdade, embora tenha percebido na produção do trabalho final da Pós que não tenho nenhum deles. Sou uma jornalista que não tem nenhum livro técnico sobre o assunto, constatei. Não é que não visse a importância deles, mas não me sentia à vontade de pedir dinheiro para minha mãe para livros, sendo que ela já lutava para pagar meus estudos em uma cidade que não era a minha, tendo em vista que a instituição dispunha de todos as obras de que necessitava.

Enfim, sempre foi de proximidade e breve afastamento minha relação com a leitura. Acredito que agora eu tenha mais liberdade para dizer o que quero ler e o que não quero. Agora tenho condições de comprar os livros que quero sem pedir para alguém. Minha pilha de livros não lidos está em casa. Minhas revistas e jornais antigos também. Adoro ler textos antigos e não me importo com aquela máxima jornalística de que a informação é agora e não depois. Os textos que me interessam tenho guardados para o momento em que quiser ler.

Não sei se posso chamar de preconceito, mas posso dizer que não me importo com os olhares tortos para o meu sistema de leitura. As obras “Cem anos de solidão”, “O retrato de Dorian Gray”, “A arte de escrever”, “O clube dos anjos” e “A misteriosa chama da rainha Loana” estão aguardando minha leitura. Aos poucos suas histórias estão sendo desvendadas. Por isso meu sistema é pendular.

E quanto à escrita, sou jornalista e “não tem remédio”… Tenho que escrever!


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